Contra o Salgueiro-PE, bicolores jogam para voltar ao grupo dos 40 melhores clubes brasileiros
Pouco mais de 16 mil pessoas estarão na Curuzu hoje de manhã, mas, do lado de fora, em frente à TV ou com o rádio colado no ouvido, serão milhões torcendo pelo Paysandu contra o Salgueiro-PE. Não vale título, mas vale o ano - e muito mais - para os dois times. Para o pernambucano, a oportunidade inédita de disputar a Série B do Campeonato Brasileiro. Para o paraense, a chance de depois de quatro anos voltar a ocupar um lugar digno dentro do cenário do futebol nacional, resgatar uma honra há muito vilipendiada e dar uma alegria verdadeira a uma nação após quatro anos.
Quando o árbitro apitar às 9 horas de hoje, horário em que muitos ainda sequer leram essas linhas que mal traçam o sentimento que sentem, o Papão estará classificado. Mas, como? O placar em branco garante ao bicolor o acesso porque no sertão pernambucano o jogo terminou empatado por 1 a 1, por isso a vantagem. O confronto será decidido tal quais os critérios de desempate da Copa do Brasil. Quem vencer sobe de divisão. Um empate igual ao do jogo de ida leva a decisão para as penalidades, igualdade de 2 a 2 ou acima disso beneficia o Salgueiro.
Entre os torcedores, os sentimentos são muitos e parte deles conflitantes. Euforia e esperança foram palpáveis na Curuzu nos dias que antecederam esse 17 de outubro, ao mesmo tempo que ansiedade permeava a todos. A certeza no acesso por parte da Fiel é igual à mesma sensação de que no futebol tudo é possível, até o improvável. O jogo de ida foi suficiente para mostrar que o adversário, por mais que não tenha nem próximo a mesma tradição, não é uma mosca morta. Haja coração até as 11 horas de hoje.
São quatro anos de exclusão de um lugar digno do futebol brasileiro. Anos de decepções, de bolas nas traves, de campanhas pífias e de única alegria pela derrocada sem tamanho do maior rival. Hoje, o Paysandu pode voltar a ter visibilidade, um calendário cheio e patrocínios polpudos para 2011.
Quem acompanhou esse elenco, basicamente o mesmo desde o começo do ano, constatou que tecnicamente ele é pouca coisa ou igual ao de anos recentes. Mas sempre houve um diferencial. Desde a pré-temporada em Barcarena, antes do Parazão, havia já o discurso que o grande objetivo era o acesso, que desse ano ele não poderia passar.
Esse grupo de jogadores, que ganhou poucos mais substanciais reforços para a Série C, tem seu principal representante do lado de fora. Desacreditado e desprestigiado por muitos, o técnico Charles Guerreiro pode, logo mais, escrever com tinta indelével seu nome na história do clube. Campeão e ídolo como jogador, ele pode tornar-se o grande timoneiro que irá tirar a nau alviazul do ostracismo.
De fala mansa, avesso aos holofotes e adepto da simplicidade dentro e fora de campo, Guerreiro ganhou aos poucos a confiança irrestrita dos jogadores. Ele conseguiu unir o grupo a tal ponto que jovens em busca de um lugar ao sol e veteranos com as carreiras já definidas hoje sonham com essa possibilidade do acesso quase do mesmo jeito.
O rebaixamento para a terceira divisão veio oficialmente no dia 25 de novembro de 2006, com a insuficiente vitória de 4 a 1 sobre o Marília-SP, na Curuzu. Mas, de fato, ele foi confirmando uma semana antes, dia 18, quando da vexatória goleada em Jundiaí (SP) por 9 a 0 diante do Paulista-SP. Esse orgulho ferido por quatro temporadas de "exílio" pode terminar hoje.
Paysandu
Alexandre Fávaro; Bosco, Paulão, Da Silva e Aldivan; Tácio, Sandro, Fabrício e Thiago Potiguar; Lúcio e Bruno Rangel.
Técnico: Charles Guerreiro.
Salgueiro
Marcelo; Rogério Rios, Eridon, Nei Carioca e Serginho; Rodolfo Potiguar, Pio, Edu Chiquita e Clébson; Júnior Ferrim e Fágner. Técnico: Cícero Monteiro.
Local: Curuzu.
Horário: 9 horas.
Ingressos: ESGOTADOS
Árbitro: José de Caldas Sousa
Amazônia Jornal
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