
Um desfile de gols. A Taça Cidade de Belém provou a boa fase dos artilheiros paraenses. A inspiração dos homens-gol é um das atrações para a grande final e uma das apostas dos dirigentes de Paysandu e São Raimundo, objetivando o retorno do grande público paraense aos estádios. É fato: se a média de gols pode ser comemorada, as festas não podem se estender ao quesito presença de público nas praças estaduais.
Surpreendentemente, o povo paraense, fanático por futebol, está afastado das arquibancadas. A exceção, porém, foi o confronto entre os titãs Remo e Paysandu, válido pela quinta rodada. Como de praxe, o público foi em peso prestigiar as duas maiores paixões futebolísticas do Estado. Compareceram mais de 28mil pagantes.
No restante, entretanto, decepção. Remo e São Raimundo, uma das semifinais, levou um público de cinco mil pagantes. Minguado se considerarmos que o protagonista envolvido foi uma torcida apelidada de fenômeno azul. A justificativa de que o Leão vive uma fase ruim serve, de fato. Mas não pode ser estendida ao Paysandu. A avalanche bicolor comemora um rendimento considerável do Papão, contudo, longe dos estádios. O público pagante do primeiro jogo da final, realizado quinta-feira à noite, foi de exatos 5.463. Pouco para quem já impressionou o Brasil na Copa dos Campeões. Incrédulos, os dirigentes assistem à situação e parecem até resignados. Para as duas semifinais de turno, foi disponibilizada uma carga de ingressos inferior a 10 mil.
Causas
Para muitos, o fenômeno se fundamenta em duas razões. O primeiro é o preço salgado dos bilhetes, apesar de o fato não ocorrer em todas as partidas. Assistir ao último embate entre Papão e Pantera, por exemplo, custou R$ 15 para o torcedor. Incluíram-se também os gastos decorrentes com o deslocamento, estacionamento e até alimentação.
Além disso, a TV do Governo Estadual, a Rede Cultura de Comunicação, transmite os jogos, ao vivo, para a Belém e praças do interior, conforme um contrato formalizado em meados do mês de janeiro, entre o poder público e os clubes. Segundo dados do governo do Estado, o convênio vai gerar R$ 900 mil para Paysandu e para o Remo, só em 2009. Aos clubes pequenos, será rateada uma quantia de R$ 600mil. E foi firmado por cinco anos.
Rever o contrato é um expediente que não deve ser utilizado. O presidente do Remo, Amaro Klautau, disse que formalizou o acordo com a executiva estadual por algumas razões, entre elas, a escassez de outros patrocinadores. Quando foi procurado, Klautau só havia acertado patrocínio com a cervejaria Cerpa. Já o mandatário do Papão, Luiz Omar, preferiu fazer um apelo aos torcedores. “A torcida ainda não está comparecendo como esperávamos que fosse acontecer. Acreditamos que a situação possa mudar”, declarou.
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